Curados da Covid-19 em Pernambuco podem doar plasma para pacientes graves

O Hemocentro de Pernambuco (Hemope) iniciou, nesta quarta-feira (1º), o agendamento de pacientes recuperados da Covid-19 que queiram participar voluntariamente de estudo clínico com plasma convalescente para o tratamento de doentes graves internados em unidades hospitalares no Estado. Essa etapa dá início à pesquisa experimental que envolve o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e o Procape, ambos da Universidade de Pernambuco (UPE); além do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  

Para ser um doador de plasma convalescente – termo que se refere ao plasma de pessoas que se recuperaram recentemente de uma infecção, sendo rico em anticorpos contra aquele agente que causou a doença -, é necessário que o candidato tenha apresentado sintomas da Covid-19 (pacientes sintomáticos) e que esteja recuperado há mais de 30 dias, além de ser do sexo masculino e ter entre 18 e 69 anos. Também é exigida a confirmação do exame laboratorial (PCR, sorologia ou teste rápido), de forma impressa ou foto no celular. 

De acordo com o médico infectologista e também pesquisador e professor da UPE Demócrito Miranda, por terem mais chances de causar uma reação conhecida como lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI), devido à presença de anticorpos que são produzidos durante a gestação, o plasma das mulheres não será utilizado no estudo clínico. “É importante destacar que a pesquisa é experimental, supõe-se que funcione, mas precisamos de análises sobre a efetividade do tratamento, que será destinado a pacientes graves, hospitalizados e com pior prognóstico”, afirma. 

O agendamento para um atendimento presencial no Hemope, nesta primeira semana, deve ser feito por telefone (3182-4630), de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 16h. A página do Hemope (http://www.hemope.pe.gov.br/) pode ser consultada para informações. O Hemope será responsável por realizar a coleta do material e os exames necessários para qualificar o plasma como convalescente. Uma amostra de sangue também será coletada para análise da presença de anticorpos da Covid-19. 

“Nesta primeira fase, precisamos de um banco de plasma que atenda aos critérios, ou seja, que possuam os anticorpos da doença, para posterior encaminhamento às unidades hospitalares. Por isso, é importante respeitar os critérios para doação. Pode ocorrer de o paciente doar o plasma, mas não ter o anticorpo, por exemplo. Após a coleta, o Hemope irá realizar as análises que são imprescindíveis para classificar e avaliar o material como plasma convalescente ou não”, pontua Demócrito. O estudo terá 110 pacientes no grupo que receberá o plasma e 110 no grupo controle. As unidades hospitalares farão a seleção dos pacientes graves que receberão o plasma.


Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Quarta, 01 de Julho de 2020 -19h32m)

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