Interpretação de texto é a principal dificuldade na prova de matemática

A principal dificuldade dos estudantes que fazem a prova de matemática do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não está nos números. Está nas palavras. A deficiência na interpretação de texto e falta de prática de leitura é – infelizmente, sem surpresa – o maior empecilho para quem busca uma vaga no ensino superior. E isso reflete no aprendizado de matemática, segundo o professor da disciplina Jairo Teixeira, que leciona no Colégio Marista São Luís. O estilo clássico e seco de questões como “resolva a equação abaixo” ficou no passado, não condiz mais com o Enem. A contextualização e inserção de histórias antecedendo o problema matemático dão o tom do exame. Na hora da prova, os alunos costumam se perder no caminho entre entender o que a questão pede e montar a equação para resolvê-la.

“Uma das coisas mais importantes na prova de matemática é ter uma boa leitura. Os estudantes pecam muito porque têm dificuldade em interpretação de texto. O Enem lança o problema e o aluno sequer entende qual é o problema. Quando o enunciado é grande, ele se afoga na leitura. Ele lê e, quando termina, vem a sensação de que não entendeu nada, acaba desistindo da questão. Se ele fosse ver o passo a passo, não tem nada difícil. Isso tudo por causa da falta de costume de interpretar”, alerta o professor.

A estudante Júlia Peres, 17 anos, quer fazer Medicina. Ela percebe que os enunciados longos servem para contextualizar a questão, mas reconhece que a maior dificuldade está no raciocínio da prova. “O problema é que muitos alunos focam mais em decorar fórmulas, e assim acabam se prejudicando no Enem. Acho que a melhor maneira pra se preparar pra prova do Enem de matemática é entender os conteúdos, ter uma base”, diz. O exame traz contextualização com os temas de análise de gráficos e tabelas, geometria plana, espacial e estatística. Este último, segundo o professor Jairo, é indispensável e um dos que mais caem nas provas dos últimos dez anos.

Ele explica que, em estatística, tudo gira em torno de um conjunto de valores. “Trabalhamos com três conceitos: média, mediana e moda. Se temos vários números dentro de um conjunto, a média será feita com o somatório dos valores e divisão pela quantidade de elementos, como numa prova de faculdade que somamos notas de três provas e dividimos por três. A mediana, é quando precisamos colocar os valores em ordem, do menor para o maior, e pegar o elemento que está no centro. Por fim, a moda é o número mais recorrente dentro do conjunto do quesito”, aponta. A casca de banana clássica é quando os estudantes esquecem de colocar os números em ordem antes de calcular a mediana.

Faltando menos de um mês para a prova, o recado do professor é claro: ainda dá tempo de correr atrás com muito treino. “É inaceitável o aluno ir para o Enem sem ter resolvido pelo menos as provas dos três últimos anos. Dá uma boa ideia do que tem no exame, para que ele não dedique tempo nem energia pros assuntos que não caem quase nada. Matrizes, por exemplo, não caem no Enem há uns 10 anos”, afirma. A prática é adotada pelo estudante João Felipe dos Santos, 17, que quer fazer engenharia. “Fazer muitas questões é, com certeza, a melhor maneira de se preparar. Muitas vezes a questão é fácil, mas o fera não consegue entender o que ela quer e termina não fazendo. Uma boa dica é destacar o comando da questão”, diz o aluno.

A longo prazo, é essencial investir na interpretação de texto, leitura, repetição e treinamento. A saída é deixar de ser um “frequentador de sala de aula” e passar a responder questões em casa. “Ir para sala de aula ver o professor responder questões não funciona. É como querer ganhar musculatura olhando o professor malhar. Quem vai malhar é ele, o aluno não”, conclui Jairo.

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Foto: Ed Machado’
>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Domingo, 09 de Outubro de 2016 -21h16m)


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