Um amor que já dura mais de seis décadas

Foi num baile de carnaval, no início da década de 1950, que Plínio e Claudimira se viram pela primeira vez. Ela, uma jovem professora que morava no Centro de Jaboatão, foi com um grupo de amigas para uma festa em Moreno, cidade vizinha. Mira, como é chamada pelos familiares e conhecidos, dançava com um rapaz quando Plínio se aproximou e fixou os olhos na moça. “Ele ficou tão em cima da gente e jogando lança perfume, que o rapaz se abusou, foi embora e disse que ele poderia dançar comigo. De lá para cá, não nos seperamos mais”, conta Claudimira Williams de Andrade, hoje com 87 anos. Em 25 de janeiro do próximo ano, ela e o marido, Plínio Gomes de Andrade, 96, completarão 62 anos de casados. O primeiro encontro do casal rendeu até poesia. Dona Mira adora escrever. Ao meu queridíssimo esposo Plínio é o título do poema onde ela narra o início da sua história de amor com o companheiro.

Do casamento entre Claudimira e Plínio nasceram cinco filhos. José, Bráulio, Ricardo, Raquel e Ana Paula. Esses filhos lhes deram 12 netos e 12 bisnetos. “Nós somos como uma pessoa só. Plínio sempre me respeitou muito. Educamos os nossos filhos juntos. Lutamos juntos. Vivemos uma vida a dois com cada um dando o melhor de si para o outro”, revela. Do tempo em que foi professora, Claudimira tem muitas recordações. “Comecei a ensinar em 1953 e os meus alunos eram de famílias humildes. Era um tempo bom, mas também havia dificuldades. Mas o apoio de Plínio sempre me fez seguir em frente”, ressalta dona Mira. Enquanto ela contava os detalhes do passado e lia algumas das suas poesias, seu Plínio ouvia a tudo, sentado ao lado dela, com um sorriso no rosto. Vez por outra fazia um comentário. “Ela lê tudinho sem óculos”, diz.

Plínio e Claudimira viveram essas seis décadas para a família. Entre os poemas que escreveu, a professora aposentada também ressaltou o amor pelos filhos. Escreveu também sobre a paz no mundo e injustiça social. “Fiz um soneto ainda quando eu era professora lá em Jaboatão porque teve uma época que a escola queria exigir atestado médico dos meninos que faltassem às provas. Mas as famílias eram tão pobres que cuidavam dos filhos doentes em casa mesmo. Depois que mostrei o soneto ao diretor da escola, ele voltou atrás na sua decisão”, lembra dona Mira. Hoje, o casal mora num apartamento na Avenida Boa Viagem. Os móveis que ocupam a sala da casa acompanham a família desde o casamento de Plínio e Claudimira. “Vieram de Portugal”, ressalta a dona da casa.

Retratos
Além de tantas afinidades, uma paixão comum ao casal é a fotografia. Nos móveis e nas paredes da sala estão apenas algumas delas. “Aquelas duas grandes ali na parede sou eu, quando era do Exército, e ela mais nova”, aponta seu Plínio. Numa caminhada pelo corredor do apartamento, é possível fazer uma viagem nas memórias da família Andrade. “Aqui tem fotos do nosso casamento, dos nossos filhos, netos e bisnetos. Também tem recordação de muitos amigos”, destacou dona Mira.

Enquanto apresentava o acervo à reportagem, o casal fazia questão de dizer o nome de quem estava nas fotos e os lugares onde o registro foi feito. “Você sabe quem é essa daqui?”, pergunta-me seu Plínio, apontando para uma foto antiga da companheira de 61 anos. “É dona Claudimira”, respondo. Ele, com um sorriso orgulhoso, balançou a cabeça em sinal de concordância. Sem mais espaço para novas imagens no corredor, a parede de um dos quartos também já acumula vários porta retratos. É um sinal de que o amor está em todos os cantos da casa e da vida de Plínio e Claudimira.

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Foto: Paulo Paiva / DP
>Do Diario de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; *Domingo, 25 de Setembro de 2016 -17h34m)


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