Para salvar orçamento, famílias migram para marcas mais baratas

O orçamento apertou, os preços subiram e o bolso sentiu o impacto. A renda média real dos brasileiros (que considera a influência da inflação) encolheu 2,9% em junho deste ano, em comparação ao mesmo mês do ano passado, segundo o IBGE. De acordo com o Dieese, no mesmo período, o preço da cesta básica subiu 3,61% na Região Metropolitana do Recife. Para fugir do endividamento facilitado por esse cenário, muitas famílias estão optando por abrir mão das marcas preferidas ou mais tradicionais para dar espaço para produtos que até então não atraiam muita atenção, porém com preços mais acessíveis.

Há cerca de três meses, esse tem sido o comportamento padrão da assistente social Catarina Araújo, 63 anos, na hora de fazer a feira mensal. “No começo do ano minha feira ficava em torno de R$ 1 mil. Estou conseguindo manter esse mesmo valor apenas trocando as marcas dos produtos e tendo mais cuidado para não estragar tanto”, detalha. 

A feira abastece a família composta por três pessoas, que acabou descobrindo qualidade em alguns produtos que até então não entravam da dispensa. Os principais itens “trocados” foram os produtos de limpeza de forma geral e o arroz, o leite e o macarrão.

Para o analista financeiro e professor de finanças pessoais da Faculdade Boa Viagem (FBV), Roberto Ferreira, esse comportamento segue a premissa básica para manter o orçamento familiar longe do vermelho: não gastar além do que se ganha. “O consumidor precisa ter prioridades na hora das compras. Se você realmente faz questão de continuar consumindo uma marca, então procure onde pode conseguir o mesmo produto pelo melhor preço – que hoje é muito fácil com a ajuda da internet – e economize em outros itens. Planejar e pedir descontos também ajudam”, recomenda Ferreira. “É preciso seguir os quatro ‘Ps’’ das finanças pessoais: prioridade, pesquisa, planejamento e pechincha”, complementa.

Mesmo com uma mudança de comportamento imposta pelo cenário econômico –e não fruto de um consumo mais consciente – o professor do departamento de psicologia social da PUC-SP Hélio Roberto Deliberador acredita em uma perspectiva positiva do atual cenário. “A crise faz com que o povo fique menos fiel a marcas, trazendo um lado positivo mais focado na qualidade do produto e do serviço. O acesso ao consumo de certa forma era uma ilusão que os governos acabaram promovendo. Talvez agora as pessoas comecem a prestar mais atenção no que é mais essencial”, acredita.

É o caso do analista de inteligência Pedro Victor Santos, 23. “Antes eu ia sempre no mesmo restaurante de comida japonesa, considerado um dos melhores. De uns três meses para cá comecei a mudar, a procurar outras opções principalmente no subúrbio, e acabei descobrindo muitos lugares mais em conta e de boa qualidade”, diz. O comportamento se reproduz principalmente nos gastos com lazer, substituindo cervejas importadas por marcas nacionais, por exemplo.

Mas abrir mão de determinadas marcas – que podem representar um padrão de qualidade mais alto – não é tão fácil para todo mundo. “Vivemos uma década de grande estímulo ao consumo que foi compatível com a realidade da renda das famílias, que perceberam que poderiam passar consumir produtos melhores. Mas ninguém gosta de recuar. Por isso, ao perceber que a renda da família não sustenta mais um certo padrão, membros que não estavam no mercado de trabalho passaram a procurar um emprego para tentar continuar consumindo igual”, observa o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos.

Foto: Reprodução / Internet
>Do Jornal do Commercio

>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Domingo, 04 de Outubro de 2015 -09h03m)


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