Hóstia, um símbolo do renascimento

Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Padre João Carlos Ribeiro explica:
“O significado da eucaristia é receber a hóstia como o corpo de Cristo”

Maior símbolo da fé católica, a hóstia ganha significado de renascimento ainda mais forte entre os fiéis que buscam a comunhão durante a Semana Santa. Tanto que a movimentação em lojas especializadas dá um salto nesta época do ano para atender à demanda das igrejas. Da fabricação à celebração religiosa, elas, que são ofertadas nas missas diariamente, fazem um percurso pouco conhecido pelos cristãos. Para se ter ideia, nesta época do ano, apenas um dos estabelecimentos de revenda mais solicitados da Capital chega a comercializar cerca de 1,95 milhão de unidades, o que representa um aumento de 200% nas vendas. E a maioria das igrejas compra as suas hóstias de fábricas de outros estados.

“Hoje, a gente festeja comendo o corpo de Cristo, a ceia do Senhor, relembrando o momento em que Jesus repartiu o pão com seus apóstolos. O significado da eucaristia é receber a hóstia como o corpo de Cristo que ele ofereceu na cruz, e o vinho é seu sangue derramado para remissão da humanidade. No catolicismo, a transubstanciação ocorre durante a eucaristia, ou seja, existe uma mudança de substância, e o pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no sangue de Cristo”, explica o padre da Basílica do Sagrado Coração de Jesus, João Carlos Ribeiro.

Por mês, em média, a fábrica Hóstias Santa Rita, situada em São Paulo, produz 250 mil hóstias. No período pascal, esse número aumenta 60%. A unidade é uma das maiores fornecedoras de hóstias para Pernambuco. A receita é simples: farinha extra pura extraída do miolo de grão de trigo e água filtrada, misturadas e cozidas em prensas industriais. Depois de esfriar, e antes de ser cortada, a massa da hóstia passa por um processo de esterilização, para que possa ser consumida num prazo de até oito meses após a fabricação – a massa é rapidamente aquecida a até 100 graus e, em seguida, é submetida a uma temperatura perto de zero.

“O passo seguinte é cortar a massa, já umedecida, em partículas do tamanho desejado. Nesse processo, cerca de 10% a 15% das hóstias são descartadas, já que no processo algumas quebram”, esclarece Alessandro Dirksen, proprietário da fábrica. Para garantir a espessura exigida, Dirksen conta que as hóstias são acomodadas nos fornos num utensílio usado em cozinhas industriais, conhecido como placas de obreia.

QUALIDADE
“As hóstias precisam ser consistentes e não esfarinhar muito. Para isso, o segredo está na qualidade da farinha que você vai utilizar durante a produção”, afirma o proprietário, sem dar mais detalhes. Os tamanhos variam: as maiores, comumente vistas na mão do padre no momento da celebração, são feitas exclusivamente para serem consagradas. As pequenas hóstias, chamadas de partículas, são fabricadas para serem distribuídas entre os fiéis. Para cada quilo de farinha diluídos em 1,5 litro de água são produzidas 100 unidades do produto.

Ao chegar às paróquias, todo o cuidado é pouco. Exercendo a função de sacristão há 30 anos da Igreja Matriz de Santo Antônio, Cláudio Pedrosa detalha que, para manter as partículas consistentes e sem mofar, é preciso mantê-las embaladas dentro de potes de plástico para que o ar seja impedido de entrar. “Quando elas são consagradas, ou seja, são santificadas no altar, são guardadas exclusivamente no sacrário (espaço, geralmente, situado no altar) para serem utilizadas em próximas missas”, conta.

Por dia, a paróquia chega a distribuir entre 80 e 100 partículas. “Para isso, eu compro mil partículas para durar um mês tranquilamente”, conclui Pedrosa.

Marina Mahmood/Folha de Pernambuco

Liliam: Mercado ainda é restrito, o que aumenta procura

VENDAS
Vendendo hóstias há oito anos, a Paulinas Livraria, localizada na área Central do Recife, começa a abastecer o estoque desde o mês de janeiro para dar conta da demanda da Semana Santa. Responsável por atender em torno de 185 paróquias distribuídas no Recife, Região Metropolitana, Agreste e Zona da Mata, a loja é um dos estabelecimentos mais solicitados da Capital. Por mês são vendidos aproximadamente 500 pacotes com mil unidades cada e 300 embalagens com a metade do volume.

As encomendas são feitas a uma fábrica em São Paulo e chegam até a Paulinas Livraria por meio de transportadoras num prazo de 30 a 40 dias. Na avaliação da vendedora Liliam Freire, isso ocorre porque o mercado de hóstias no Estado é restrito, o que aumenta a procura pelo produto. “Isso por um lado é muito bom, pois como há pouca oferta do produto na região, restringindo-se apenas a Camaragibe, as demandas aumentam na loja. Consequentemente, isso requer um cuidado a mais para mantermos o estoque sempre cheio. Por isso, fazemos um controle mensal para saber se temos que solicitar mais pacotes”, detalha a vendedora.

CONSAGRAÇÃO
Antes de distribuir as hóstias entre os fiéis, o frei Joaquim Ferreira da Luz conta que deve haver toda uma preparação, que vai desde a invocação da Santíssima Trindade ao próprio ritual de consagração. “A hóstia antes da consagração é pão de trigo. Depois da consagração, que é feita durante a missa, a hóstia torna-se o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só aí estará pronta para ser distribuída entre os fiéis”, explica ele, ressaltando a importância de o cristão também estar “limpo” para receber o alimento sagrado.

“Faz-se necessário que seja feita a confissão para que o cristão esteja purificado dos seus pecados antes de comungar. Afinal, comungar é participar na Santidade de Cristo, na Santidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja”, esclarece o frei. Por dia, a basílica chega a distribuir 1,5 mil partículas. No período pascal, a demanda aumenta 50%.

A eucaristia é um dos momentos mais esperados pelos fiéis que acompanham as missas. Na Igreja Matriz do Espinheiro, por exemplo, os religiosos chegam a comungar mais de três mil partículas na Semana Santa. “O momento do recebimento do corpo (hóstia) e o sangue (vinho) de Cristo é sagrado para mim. É quando eu me sinto renovado e perto de Jesus Cristo”, revela o aposentado Mário Cabral, 62 anos. A dona de casa Maria Clara, 43, também demonstra a sua devoção. “Muita fé em Deus eu tenho. Eu agradeço de todo o coração pela minha vida, saúde, minha família e por quem até não conheço”, conta.

Para os católicos, o alimento representa o corpo de Cristo, que de acordo com a literatura bíblica, morreu e ressuscitou pelos pecadores. Contudo, o ato de comungar não significa simplesmente receber a hóstia consagrada, muito menos mastigar um pedacinho de pão durante as missas. Mas sim um momento de aproximação com o divino. “É Nosso Senhor que recebemos e dele nos alimentamos para que mais nos unamos à Igreja. É por isso que a Igreja manda que comunguemos de joelhos, como um gesto de respeito, antes de compartilharmos o alimento”, reforça o frei da Basílica do Carmo, Joaquim Ferreira da Luz.

>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Segunda, 06 de Abril de 2015 -06h12m)


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