Em debate franco na Globo, Paulo Câmara vira alvo de ataques e revida

O debate da TV Globo, o último antes das eleições e o mais franco entre os candidatos ao governo do Estado, acabou se transformando em um ringue, com dois lutadores tentando a todo custo derrubar o candidato do PSB, que está a frente nas pesquisas, com larga vantagem. Armando Monteiro, do PTB, e Zé Gomes, do PSOL, uniram esforços, cada um a seu modo, para atacar o socialista Paulo Câmara, que não fugiu do embate e devolveu várias bordoadas, quando pode.

O petebista partiu logo para o ataque na primeira pergunta, contra Paulo Câmara, tentando jogar Lula e Dilma contra o palanque socialista ao falar de projetos para Pernambuco. Como o socialista reconheceu a ajuda federal, mas disse que Eduardo fez muito por Pernambuco, por saber tirar projetos do papel, Armando Monteiro reclamou que ele tinha um discurso decorado e que o reconhecimento era injusto.

Paulo Câmara devolveu. “Fico impressionado com Armando. quando Dilma estava em baixa, ele escondia. Agora que ela crescer nas pesquisas, ele cita Dilma. Mas ela parou o Brasil, fez a inflação voltar e não acabou com a corrupção. O governo Federal ajudou porque somos competentes”, disse.

Polarizando com os dois opositores ao mesmo tempo, o socialista entrou na alça de mira do candidato do PSOl, Zé Gomes. Com a palavra, ele pediu ao socialista que divulgasse quem eram os doadores dos R$ 8 milhões que amealhou. Paulo Câmara pareceu titubear, ao informar que não tinha a informação, mas que a repassaria. Depois, argumentou que o partido segue as regras eleitorais e que este não era o debate que as pessoas queriam. Zé Gomes repetiu o slogan segundo o qual quem paga a banda escolhe a música, para acusar Paulo Câmara de não ter independência e ser a cara da velha política. Paulo Câmara retrucou que o partido recebia mais doações porque a maioria das pessoas gostaria que Pernambuco continuasse avançando.

Na segunda rodada, foi a vez de Paulo Câmara e Armando Monteiro trocarem farpas. O socialista pediu que ele comentasse a proposta para os servidores públicos. O petebista o acusou de promover um arrocho salarial e agir com descaso, tratar mal os servidores e não ter autoridade para agora falar em melhorias. O socialista fez o mais duro ataque ao petebista até então na campanha, revelando publicamente o que já vinha sendo dito nos bastidores e pelas redes sociais.

“Quem não tem experiência na gestão pública não sabe o que está falando. Armando Monteiro nunca administrou nada no serviço público. O que fez na iniciativa privada gerou processos trabalhistas e demitidos que não receberam. Quem cuida do privado deste jeito não pode cuidar do público. O que o senhor administrou no setor privado deixou muita gente endividada e muita gente quebrada”. Na resposta, o petebista chamou Paulo Câmara de demagogo.

Os dois principais candidatos voltaram a se pegar de forma dura na seqüência. A iniciativa coube ao petebista. Armando Monteiro reclamou da forma abusiva com que a morte de Eduardo Campos foi usada na campanha e que ele, como pupilo, deveria apresentar-se como candidato. Paulo Câmara respondeu que tinha respeito por Eduardo Campos e que falaria dele pelo resto da vida, porque servia de inspiração para ele. “Não é você que vai me dizer a hora que eu vou falar ou não de Eduardo Campos”, frisou.

Na lata, Armando Monteiro disparou que o socialista não teria lastro nem estrutura. “Eduardo Campos era o técnico e o maestro. Você ficou com um time sem maestro nem técnico. Não se pode ficar a mercê de experimentalismo”, criticou. Na réplica, o socialista acusou o petebista de pensar em conchavo com amigos como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros.

No segundo bloco, o clima já não foi tão quente, por se tratar de temas mais propositivos, mas não deixou de haver ironias e farpas para todos os lados.

Os dois principais protagonistas voltaram a se enfrentar de forma dura tendo como mote o saneamento. O petebista disse que a PPP da Compesa era elitista pois só cuidava da Região Metropolitana do Recife e que iria usar recursos do BNDES para levar cobertura até o interior. Na sua fala, cometeu o vacilo de colocar Dilma como parceira da iniciativa, como se fosse condição para a realização da operação. Paulo aproveitou a deixa. “Dilma não vai ser revanchista (caso ele seja eleito e não Armando). Armando, isto é revanchismo? o povo pernambucano não gosta disto. Não vamos ficar com o pires na mão”. Armando Monteiro pediu direito de resposta ainda ano ar, mas acabou sendo recusado, com a argumentação de que não houve ofensa pessoal.

Quando foram comentar o tema educação, os dois voltaram às farpas. Com ironia, Armando Monteiro disse que o problema era que Paulo Câmara só começou a andar pelo Estado depois que virou candidato e que havia se especializado em cobrar impostos de quem não podia pagar. Paulo Câmara então respondeu que quem não conhecia a área de Educação era ele, que havia apontado o Ceará como exemplo, antes que os números do Ideb fossem divulgados, colocando Pernambuco em quarto lugar no ranking nacional.

A última peleja entre os dois teve como mote a área de saúde. Dando a parecer que iria fazer uma revelação bombástica, Armando Monteiro falou em gastos de R$ 4 bilhões em uma rubrica da área e perguntou, com ironia, para onde o dinheiro havia ido. Também com ironia, o ex-secretário da Fazenda disse que era do SUS e recomendou que conhecesse melhor a gestão pública.

Armando Monteiro reclamou que o socialista não respondeu adequadamente.
“Como sempre, Paulo não responde às perguntas, é só decoreba, faz voltas e diz que tem experiência, mas não responde. É inseguro. Não tem o perfil que Pernambuco precisa para ser um governante”, disse o petebista.

Na despedida, Paulo câmara voltou a falar de Eduardo Campos e pediu votos para Marina Silva (PSB), enquanto o candidato do PTB ainda lançou uma última ironia aos socialistas, ao pedir que Pernambuco não se curvasse às vontades de um grupo.

Além de acabar por deixar claro que o objetivo maior e único do partido era tentar eleger o primeiro deputado estadual da legenda, Zé Gomes, do PSOL, nas suas considerações finais, voltou a falar nos doadores e até estabeleceu hora e local (TRE) para a apresentação dos documentos. A fala acabou gerando polêmica com o staffsocialista.

Quando as câmeras foram desligadas, o marqueteiro do PSB, Edson Barbosa, reclamou que foram dirigidas oito perguntas a Paulo Câmara e duas a Armando Monteiro, classificando a atuação do PSOL como linha auxiliar do PTB. O candidato negou. Paulo Câmara, ao sair dos estúdios, disse que não ia se prestar a ir ao TRE e que se Zé Gomes quisesse que olhasse a declaração na internet, no site do TRE. O PSOL soltou depois uma nota de repúdio (LEIA ABAIXO).

“Eu poderia imaginar muita coisa, menos que o PSOL estivesse de brincadeira. Eu estou envergonhado com o PSOL como força auxiliar do Armando”, disse Barbosa. “Eu estou triste, eu tenho direito. Oito perguntas para Paulo e duas para Armando e duas para Zé. Eu estou envergonhado”, lamentou.

“Linha auxiliar uma ova”, rebateram os membros do PSOL, rememorando a frase dita pela presidenciável Luciana Genro (PSOL) no debate com os presidenciáveis. No episódio, Aécio Neves (PSDB) afirmou que o PSOL era uma linha auxiliar do PT e Genro rebateu usando a frase repetida pelos correligionários locais.

Ao deixar os estúdios, Paulo Câmara ironizou com o fato de ter sido alvo principal dos adversários. “Tive a oportunidade de ser sabatinado pelos candidatos e ter respondido a todas as perguntas. Então tive oportunidade de responder praticamente todos os temas do debate”, disse o socialista.

Quanto ao desafio lançado por Zé Gomes, o postulante afirmou que as informações são públicas e estão disponíveis no site do TRE. “As empresas estão no site, têm construtoras, têm fornecedoras, tem tanta gente que presta serviço e quer contribuir com um Pernambuco melhor. Isso é uma regra do jogo, regra da legislação eleitoral”, explicou Câmara, afirmando que não recebe doações de pessoas que não participam da construção de um Estado melhor.

Nos bastidores da gravação, marqueteiros e assessores dão as últimas orientações aos candidatos. Foto: Igo Bione/JC Imagem.Nos bastidores da gravação, marqueteiros e assessores dão as últimas orientações aos candidatos.
Foto: Igo Bione/JC Imagem.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DO PSOL

O PSOL de Pernambuco, através de sua Executiva e da coordenação de campanha Zé Gomes Governador, vem a público lamentar o comportamento inadequado da assessoria do candidato Paulo Câmara, que, durante entrevista de Zé Gomes após o término do debate televisivo, dirigiu-se de forma desrespeitosa ao nosso candidato, interrompendo a coletiva e insultando o nosso partido.

O referido assessor insurgiu-se ao se ver instado a cumprir o compromisso assumido por Paulo Câmara durante o debate, de apresentar os doadores originários de R$ 8 milhões transferidos, via conta do diretório do PSB, para sua campanha, conforme a segunda prestação de contas parcial, feita em 2 de setembro.  Paulo Câmara foi convidado pelo candidato do PSOL a prestar as informações com hora e data determinados: no Tribunal Regional Eleitoral, às 14h do dia 1º de outubro.

O assessor buscou, diante desta intervenção sofrível, esquivar-se do compromisso feito, ao tentar apresentar, no ato de sua interrupção à entrevista, supostos documentos que esclareceriam o que o candidato não esclareceu durante o debate e busca omitir do eleitorado pernambucano.

O PSOL repudia o ato desrespeitoso contra o nosso candidato e não aceita manobras que retirem da população a transparência que exigimos ao cobrar quem são os verdadeiros financiadores deste projeto político. O destempero da assessoria do candidato Paulo Câmara reflete o mau desempenho no debate, em contraste com a excelente atuação, verificada facilmente, de nossa candidatura.

Por fim, reafirmamos que aguardaremos no local e horário marcados as informações cobradas por nosso candidato, em nome da transparência no processo eleitoral. Que Paulo Câmara não se acovarde diante do compromisso que assumiu perante as câmeras e o povo pernambucano.

Executiva Estadual do PSOL
Coordenação de Campanha Zé Gomes Governador

>Do NE 10
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Quarta, 01 de Outubro de 2014 -05h41m)


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