Lista de nome delatados por ex-diretor da Petrobras inclui presidente da Câmara, Senado e até Eduardo Campos

Na mesma hora em que a refinaria Abreu e Lima começa a sua fase de testes, recebendo óleo do Nordeste para começar a operar, pipocou a bomba de efeito retardado da delação premiada oferecida ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, preso desde março pela operação Lava Jato, da Polícia Federal. Nesta semana, chegou ao STF e automaticamente vazou para a imprensa parte do depoimento concedido no mês passado, onde o ex-executivo aponta nomes de políticos que teriam recebido ajuda financeira, oriunda de propinas pagas por fornecedores da estatal. Paulo Roberto Costa foi nomeado pelo PT e tinha lastro também do PP e PMDB depois para se manter no cargo.

Conforme prometeu nesta sexta, a Veja divulgou hoje em seu site uma lista parcial de nomes, que inclui o presidente do Senado e Câmara, bem como até do ex-governador Eduardo Campos, falecido em um acidente aéreo.

O problema da denuncia em relação a Campos é que ele não está mais aqui para se defender. Antes de trocar de advogado, Paulo Roberto Costa havia indicado Eduardo Campos como um dos nomes para depor no processo, como testemunha de defesa, mas a sua revelia.

Na semana em que morreu, Eduardo Campos havia obtido um acordo para que seu nome fosse retirado do processo.

Quando Jarbas ainda era adversário de Eduardo Campos e interessava ao PT dar amplo prestígio a Eduardo, o executivo, que passou um bom tempo em Pernambuco cuidando da construção da refinaria, chegou a sugerir que a inauguração a refinaria no dia do aniversário do aliado socialista. Podia ser só mais uma bajulação.

Não resta dúvida que haverá um grande impacto, tanto na eleição nacional como estadual.

Nesta semana que passou, reportagem da Folha de São Paulo já associava uma empresa do doleiro Alberto Youssef, sócio de Paulo Roberto Costa, como repassadora de recursos indiretamente para os donos oficiais do avião. De acordo com a apuração da Polícia Federal, a empresa Câmara e Vasconcelos pagou R$ 159,9 mil aos donos da AF Andrade, antigos proprietários da aeronave. Esta empresa, por sua vez, recebia recursos da MO Consultoria, empresa criada por Alberto Youssef para receber dinheiro das empreiteiras.

veja trecho da reportagem da Veja

Preso em março pela Polícia Federal, sob a acusação de participar de um mega esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras Paulo Roberto Costa aceitou recentemente os termos de um acordo de delação premiada – e começou a falar.

No prédio da PF em Curitiba, ele vem sendo interrogado por delegados e procuradores. Os depoimentos são registrados em vídeo — na metade da semana passada, já havia pelo menos 42 horas de gravação. Paulo Roberto acusa uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção.

Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado,  Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de qualquer governo. Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina.

Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.

Paulo Roberto também esmiúça a lógica que predominava na assinatura dos contratos bilionários da Petrobras – admitindo, pela primeira vez, que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo.

Sobre o PT, ele afirmou que o operador encarregado de fazer a ponte com o esquema era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, cujo nome já havia aparecidao nas investigações como personagem de negócios suspeitos do doleiro Alberto Youssef.

>Do NE 10
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Sábado, 06 de Setembro de 2014 -14h06m)


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