A Quaresma é uma viagem de regresso a Deus, diz Papa

O Papa Francisco presidiu a missa com o Rito de imposição das Cinzas nesta quarta-feira, 17, na Basílica de São Pedro. A celebração marca o início do tempo da Quaresma.

“Convertei-vos a mim. A Quaresma é uma viagem de regresso a Deus”, destacou o Papa. Ele frisou que, na vida, sempre há coisas a fazer e desculpas a apresentar, mas agora é tempo de regressar a Deus.

Sentido da Quaresma

“A Quaresma é uma viagem que envolve toda a nossa vida, tudo de nós mesmos. É o tempo para verificar as estradas que estamos percorrendo, para encontrar o caminho que nos leva de volta a casa, para redescobrir o vínculo fundamental com Deus, do qual tudo depende”.

Francisco destacou que o tempo da Quaresma é para discernir para onde está orientado o coração. Cada um deve se perguntar se está direcionado para Deus ou para si mesmo, se vive de fato para agradar a Deus ou para ser notado. “Tenho um coração ‘dançarino’ que dá um passo para a frente e outro para trás, amando ora o Senhor ora o mundo, ou um coração firme em Deus?”, questionou.

Esse período de 40 dias é um êxodo da escravidão para a liberdade, lembrou Papa Francisco. São dias que recordam os 40 anos em que o povo de Deus caminhou pelo deserto para voltar à terra de origem. E foi um período difícil, frisou o Santo Padre, em que o povo sempre se sentia tentado.

“O mesmo se passa conosco: a viagem de regresso a Deus vê-se dificultada pelos nossos apegos doentios, impedida pelos laços sedutores dos vícios, pelas falsas seguranças do dinheiro e da ostentação, pela lamúria que paralisa. Para caminhar, é preciso desmascarar estas ilusões”.

Regressar a Deus

A seguir, Francisco convidou a olhar para o filho pródigo para compreender que é tempo também de regressar ao Pai. Assim como aquele filho, também os homens de hoje se esquecem de casa, delapidando bens preciosos em troca de coisas sem valor.

Mas Deus está ali para levantá-los, lembrou o Pontífice. O perdão do Pai sempre coloca o ser humano em pé novamente. E nesse sentido, a Confissão é o primeiro passo nessa viagem de regresso.

“Depois precisamos de regressar a Jesus, fazer como aquele leproso curado que voltou para Lhe agradecer. Somos chamados também a regressar ao Espírito Santo. As cinzas na cabeça nos lembram que somos pó e ao pó voltaremos”.

Francisco destacou ainda que o que nos faz regressar a Deus não são as capacidades e méritos humanos, mas a sua graça que é preciso acolher.

“Hoje inclinamos a cabeça para receber as cinzas. No termo da Quaresma, nos abaixamos ainda mais para lavar os pés dos irmãos. A Quaresma é uma descida humilde dentro de nós e rumo aos outros. É compreender que a salvação não é uma escalada para a glória, mas um abaixamento por amor. É fazer-nos humildes”.

Olhar para a cruz e as chagas de Jesus

Neste caminho, para não perder o rumo, é preciso colocar-se diante da cruz de Jesus, destacou o Papa, e contemplar cada dia as suas chagas.

“Nas suas chagas reconheçamos o nosso vazio, as nossas faltas, as feridas do pecado, os golpes que nos fizeram sofrer. Vemos ali que Deus não aponta o dedo contra nós, mas nos abre os braços. As suas chagas estão abertas para nós e, por aquelas chagas, fomos curados”.

Nas chagas mais dolorosas da vida, “Deus nos espera com a sua infinita misericórdia. Porque ali, onde somos mais vulneráveis, onde mais nos envergonhamos, Ele veio ao nosso encontro. E agora nos convida a regressar a Ele, para voltarmos a encontrar a alegria de ser amados”, concluiu o Papa.

 

Da Redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/ Guglielmo Mangiapane/ Pool
>Da Canção Nova
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Quarta, 17 de Fevereiro de 2021 -07h54m)

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