André Mendonça toma posse como ministro da Justiça

Após o pedido de demissão de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública na última sexta-feira (24), tomou posse nesta quarta-feira (29), o novo ministro escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro, o advogado-Geral da União André Mendonça. A cerimônia de posse aconteceu no Palácio do Planalto.

André Mendonça iniciou o seu discurso de posse saudando todas as autoridades presentes na solenidade, e destacou brevemente a importância de uma liderança correta no cenário em que se encontra o país. “Vivemos um momento de crise na sociedade brasileira. Crise de saúde, de Estado, de sonhos, projetos e empregos, mas cabe a nós, sermos lideres de um modo especial, lideres servos e capazes de colocar o povo em primeiro lugar”, disse o ministro.

O novo ministro também fez questão de pontuar a admiração por Bolsonaro e de agradecer ao presidente pela escolha para o cargo. “Tenho aprendido diariamente com vossa excelência, com a sua amizade, seu caráter e integridade e agradeço plenamente pela oportunidade de liderar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública desse país. Servirei com coragem e transparência”.

O ministro pontuou em seu discurso de posse os quatro compromissos que assumirá com a população durante o seu trabalho à frente do ministério e garantiu uma atuação técnica, imparcial e sempre disposta a prestar contas. Os compromissos, segundo o ministro são com o estado de direito e seus valores, o combate restrito à irregularidades, a atuação integrada com estados e municípios e com a justiça e segurança da população.

Durante a posse, o ministro declarou que fará uma gestão aberta a todos, e que reconhecerá os agentes de segurança do país. “Serei um fiel missionário. Os agentes de segurança precisam ser valorizados. Na minha gestão eles terão a devida autonomia”, afirmou. “Sempre combati a corrupção, Bolsonaro tem sido a trinta anos um profeta no combate à criminalidade. Lutarei com todos os meus esforços nesse combate também”, completou o ministro.

O presidente também realizou um discurso agradecendo ao ministro por aceitar o cargo e o chamou de “pequeno grande homem, de cérebro e mente invejada”. “Hoje entra André Mendonça, obrigada por aceitar o cargo e saiba que todos nós temos a certeza que será a gestão será desempenhada muitíssimo bem com a sua presença. Tenho a certeza que formará a sua equipe de acordo com seu entendimento”.

Com relação ao pedido de demissão de Moro, Bolsonaro fez uma metáfora aos times de futebol. “Exerci o meu papel da forma como achei que deveria fazer. Nenhum presidente conseguiu fazer o time dos seus sonhos, e o time, e seus jogadores também se cansam. Uns o técnico tira de campo, outros pedem para ser substituídos. Como chefe do executivo, atendo ao pedido e substituo as pessoas”.

Saiba quem é André Mendonça, advogado, pastor e novo ministro da Justiça

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nomeou nesta terça-feira (28) André de Almeida Mendonça para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O advogado agora deixa a Advocacia-Geral da União e ocupa a vaga deixada por Sergio Moro. Ao pedir demissão na semana passada, o ex-juiz da Lava Jato acusou o presidente de interferências na Polícia Federal.

O novo ministério da justiça que também é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, integrava a AGU desde 2000, quando encerrou sua atividade como advogado concursado da Petrobras (1997-2000). Mendonça foi corregedor da AGU na gestão de Fabio Medina Osório, no governo Michel Temer. Ele chegou ao governo Bolsonaro por indicação do ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Wagner Rosário, com o apoio da bancada evangélica.

A sua transferência para a Justiça teve o apoio da cúpula militar e a articulação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), José Dias Toffoli. A expectativa agora é a de que ele melhore a relação de Bolsonaro com o Poder Judiciário. A transferência de Mendonça fortalece a indicação de seu nome para uma das duas vagas a que Bolsonaro terá direito de preencher no STF. O presidente já disse que considera o ministro, a quem se referiu como “terrivelmente evangélico”, a um dos postos.

A indicação atenderia a um apelo da bancada evangélica, que pediu ao presidente que um representante deles ocupe um cargo no Supremo, na tentativa de tornar o perfil da corte mais conservador. Pelo critério de aposentadoria compulsória aos 75 anos dos ministros do Supremo, as próximas vagas serão as de Celso de Mello, em novembro deste ano, e Marco Aurélio Mello, em julho de 2021. O presidente indica o nome, que deve ser aprovado em seguida pelo Senado.

Mendonça conheceu Bolsonaro em 21 de novembro de 2018, no mesmo dia em que foi escolhido para comandar a AGU. A conversa, no gabinete da transição no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) de Brasília, durou cerca de 40 minutos. O então presidente eleito nada perguntou. Os questionamentos ficaram a cargo do general Augusto Heleno, que assumiria o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), e de Jorge Oliveira, hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência -responsável por analisar o currículo de Mendonça e apresentá-lo ao chefe.

Mendonça costuma dizer que “mais do que falar, você precisa ouvir para entender a realidade”. Naquele dia, no entanto, ele fez um “bom jockey”, disse Bolsonaro, para em seguida explicar: “Na área militar, quando um cara está indo bem, a gente diz que está em um bom jockey. Pode continuar!”. Mendonça fez à ocasião uma aprofundada análise política da eleição de Bolsonaro e seu significado para os rumos do país.

O futuro AGU disse ao presidente eleito que, como ele havia se proposto a governar na contramão do presidencialismo de coalizão, construindo uma nova forma de diálogo e relacionamento com o Congresso, enfrentaria um período de maior resistência da chamada política tradicional.

Com a nomeação de Mendonça, a tendência é a de que Bolsonaro faça uma cisão no Ministério da Justiça e recrie a pasta da Segurança Pública. Neste caso, a expectativa de assessores do presidente é que ele nomeie o secretário de segurança pública do Distrito Federal, Anderson Oliveira, para a função. Anderson conta com o apoio do ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), amigo de Bolsonaro.

Foto: Reprodução/ Youtube
>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Quarta, 29 de Abril de 2020 -17h07m)

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