Tontura é sintoma que não deve ser menosprezado

“Tontura é coisa séria”. É com esse slogan que a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) convoca a população para não menosprezar episódios de tontura e buscar uma ajuda profissional para um diagnóstico correto.

Ficar zonzo, desequilibrado ou desorientado é sinal de várias condições que vão desde o estresse até problemas mais graves como os neurológicos ou cardíacos, mas de forma mais comum a tontura está associada a transtornos do ouvido. Também ai especialistas alertam para outro mito: nem sempre a labirintite é a vilã da história. Para lembrar a Semana da Tontura, que esta em curso, a ABORL-CCF realiza nesta quinta-feira (25), das 7h às 11h, no Parque 13 de Maio, um mutirão de atendimentos gratuitos à população. 

“A inflamação dentro do labirinto, que é a labirintite, é muito rara. Não está nem entre as dez principais causas da doença do labirinto. Tontura não é sinônimo de labirintite e labirintite não é sinônimo de doença do labirinto”, explicou a otorrinolaringologista Lívia Noleto, que é membro do departamento de Otoneurologia da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia (ABORLCCF). 

Mesmo assim, a labirintite costuma ser muito relatada por pacientes. A doméstica Margarete de Souza, 55 anos, teve o diagnóstico de labirintite confirmado em 2013 e, desde então, precisou mudar diversos hábitos para amenizar o desequilíbrio. “Na primeira crise, até a cama sentia que estava rodando. Eu fumava e, por recomendação médica, parei. Bebidas alcoólicas, refrigerantes e o café também precisei cortar. Hoje tomo apenas o descafeínado”, destacou. “Evito lugares altos por causa da sensação. Mas até quando fico parada sinto uma leve tontura”, disse.

A empresária Hilda de Souza, 49 anos, teve um episódio de estresse no trabalho que ocasionou a primeira crise de tontura associada a náuseas faz 5 anos. Socorrida para emergência onde teve o diagnostico inicial de labirinte, ela teve o caso confirmado pelo otorrino que já acompanhava. “Fiz um tratamento muito sério. Fiquei boa na época, mas até hoje ando com algumas medicações porque quando passo por contrariedades sinto como se estivesse em um barco e a cabeça vai ficando estranha.”

Lívia Noleto comentou que as situações de vertigem acometem cerca de 20% da população mundial, por causas diversas. E que o sintoma é a segunda queixa mais incapacitante perdendo apenas para a dor. “É importante ter em vista que a tontura pode ser um problema neurológico, um problema cardíaco, psiquiátrico ou alguma doença do labirinto, que já entra no campo da otorrinolaringologia”, elencou. Em relação ao ouvido a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) acaba sendo a doença mais prevalente que leva a tontura. 

Causas e cuidados da tontura

Causas e cuidados da tontura
Crédito: Arte Lehi Henri

“Dentro do nosso labirinto temos uns cristais que estão presos na superfície. Quando eles se descolam (seja por trauma, problemas de metabolismo ou sem causa definida) ficam andando livremente e dependendo da posição que fazemos na cabeça a pessoa fica tonta. É como se ativasse uma área no labirinto e provocasse a tontura”, explicou. A médica destacou que a VPPB é responsável por 10% dos casos de vertigem em pessoas com mais de 60 anos de idade e que para esta doença o tratamento não é medicamento, mas a base de exercícios para o labirinto. 

Lívia Noleto exemplificou que alterações metabólicas, principalmente distúrbios da glicemia tanto baixa como alta, podem provocar desequilíbrio. Outra vinculação é com o hipotireoidismo ou hipertireoidismo (ambos relacionados aos hormônios da tireoide), anemia, arritmia cardíaca ou síndrome vasovagal (queda súbita de frequência cardíaca e pressão arterial). 

Na neurologia, a tontura também é sinal de alerta porque pode ser indício de um AVC. “Pode ser uma manifestação relacionada ao AVC, mas pode acontecer também em situações de trauma crânio encefálico. A tontura ainda pode se manifestar como sintoma associado no paciente com enxaqueca. Em doenças como esclerose múltipla o sintoma também pode estar presente. É um sintoma possível em vários diagnósticos”, comentou o neurologista do Real Hospital Português, Kleiton Borges. Em muitos casos a tontura na situação de desordem neurológica tende causar dificuldade de marcha (caminhar) e sensação iminente de que o indivíduo vai cair. 

Foto: Reprodução/ Internet
>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Quinta, 25 de Abril de 2019 -18h42m)

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