Um terço dos apartamentos do Holiday é desocupado e moradores lamentam ter que deixar suas casas

Três dias após a decisão judicial de interdição e desocupação imediatado Edifício Holiday, na Zona Sul do Recife, mais moradores decidiram deixar suas casas, neste sábado (16). Sem luz e água há 11 dias e sequer um elevador para remover sua mobília, eles lamentaram ter que deixar o local onde vivem. (Veja vídeo acima)

A administração do prédio calcula que, dos 476 apartamentos nos 17 andares, entre 150 e 170 foram desocupados, quase um terço do total. O prédio construído em 1956 apresenta uma série de problemas estruturais relatados pelos órgãos públicos desde 1996. A maioria dos moradores, no entanto, ainda não sabe o que fazer e nem para onde ir.

Na sexta-feira (16), moradores foram ao juiz que proferiu a decisão para tentar ganhar tempo. O síndico José Rufino Neto afirma que essa é a única estratégia possível para os moradores, que tem até a quarta-feira (20) para sair do local.

“O que tem para fazer é a gente tentar parar o tempo ou correr, dar um jeito de fazer essas obras, arrumar algum modo concreto de mostrar na Justiça que a gente vai dar início à reparação, para ver se a gente ganha algum prazo”, declara.

Um terço dos moradores do Holiday, Zona Sul do Recife, deixou apartamentos — Foto: Reprodução/TV Globo

Um terço dos moradores do Holiday,
Zona Sul do Recife, deixou apartamentos
Foto: Reprodução/ TV Globo

A incerteza sobre o futuro tomou conta do taxista Manoel Ferreira da Silva, que tirou o sábado para resolver sua mudança do edifício. Ele comprou um apartamento no prédio há 27 anos e agora, sofre ao ter que tentar a vida em outro lugar.

“Você ter o que é seu e perder tudo assim, é duro, não é fácil, é desesperador. É um jogo de quebra-cabeça, você sair daqui para tentar a vida, se reerguer. Vamos ter que pagar aluguel sem ter condições, porque temos que sair da minha casa. É muita gente sofrendo nessa situação”, afirma o taxista.

A comerciante Dalvanete Alves possui um apartamento no Holiday e trabalha no térreo do edifício. Ela lamentou a determinação judicial e pediu ajuda à prefeitura para não perder a própria casa.

“Está sendo doloroso para todo mundo, eu não falo só por mim. Mil coisas passam pela cabeça. Ter que sair assim é como se a gente estivesse sendo massacrado, perdendo tudo. A gente não tem resposta nenhuma. A prefeitura diz que não pode ajudar porque é terreno privado, mas tem que lembrar que aqui mora gente. Se estivéssemos em outro lugar, poderíamos ser ajudados?”, questiona Dalvanete.

Maria Cilene passou mal durante mudança do Edifício Holiday, na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Maria Cilene passou mal durante mudança
do Edifício Holiday, na Zona Sul do Recife
Foto: Reprodução/ TV Globo

Durante a mudança, a cuidadora de idosos Maria Cilene passou mal e precisou ser medicada na estrutura montada pela prefeitura para dar assistência aos moradores. Ela estava com a pressão alta.

“A gente mora no que é da gente e ninguém dá satisfação de nada, só estão nos tirando, como bichos, e a gente não sabe nem o que dizer. Tenho esquecido dos remédios para a diabetes e de medir minha pressão. Trabalho à noite e preciso dormir de dia, por isso não arrumei minha mudança. Outro dia, passei mal no serviço”, diz.

Igreja levou café da manhã para moradores do Edifício Holiday, na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Igreja levou café da manhã
para moradores do Edifício Holiday, na Zona Sul do Recife
Foto: Reprodução/ TV Globo

Solidariedade

Na manhã deste sábado (16), um grupo da igreja evangélica Casa do Pai levou comida e organizou um café da manhã para os moradores do Holiday. Além da refeição, eles distribuíram amor. Segundo o pastor Evandro Souza, o apoio psicológico é importante.

“É muito fácil dizer para os outros ‘Deus te abençoe’, mas as pessoas têm necessidades básicas e não esperam. Infelizmente, cada vez mais, as pessoas estão distantes e não preocupadas com isso. Hoje, a função da igreja é atender às necessidades”, afirma.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Recife, uma das opções para os moradores que precisam deixar o prédio é o abrigo na Travessa do Gusmão, que tem capacidade para até 100 pessoas. O número é incompatível com número de pessoas que permanece no Holiday.

Risco  estrutural

De acordo com a Defesa Civil do Recife, o risco estrutural do Edifício Holiday é alto: em uma escala que vai de 1 a 4, o prédio encontra-se em grau 3. Segundo o órgão, o imóvel precisa de reformas imediatas por causa da queda de reboco e problemas nas fundações da edificação.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os problemas verificados no Holiday vão desde a inundação do subsolo até a falta de componentes básicos de prevenção ao fogo, além de falhas e da sobrecarga das instalações elétricas. O transformador, no subsolo do edifício, está em uma área inundada e precisa de troca de fiação, o que apresenta riscos graves para os moradores.

Foto: Cortesia/ Frente de Luta pelo Transporte Público
>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Sábado, 16 de Março de 2019 -17h06m)

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