Rejeitos de minério da Vale atingem mais de 1 milhão de metros quadrados

São Paulo – A medida que passam os dias, a tragédia socioambiental de Brumadinho (MG) ganha contornos mais objetivos, que tratam tanto de perdas humanas e materiais quantos dos prejuízos ambientais. Um relatório da ONG ambientalista WWF divulgado nesta terça-feira estima que os rejeitos de mineração da Vale atingiram uma área florestada de mais de 1 milhão de metros quadrados, ou o equivalente a 125 campos de futebol.

O impacto sobre a cobertura florestal na região, que é de Mata Atlântica em transição para Cerrado, foi calculado com base em imagens de satélite da ruptura da barragem de contenção de Brumadinho e mapas anteriores à tragédia. Além do impacto nas florestas, outros recursos naturais e serviços são afetados pela lama de rejeitos.

A mineração vive uma relação intensa e, muitas vezes, conflituosa com o meio ambiente. Ela se dá por dois viés: pelo uso dos recursos hídricos em seus processos produtivos e pelo fato da atividade encontrar-se, eventualmente, nas regiões de nascentes e recarga hídrica.

Se no primeiro caso chamam atenção os riscos de uma escassez hídrica paralisar a produção, o segundo alerta para a ameaça gigantesca de poluição devido a quantidades significativas de águas residuais ligadas à mineração, cujos efeitos não são fáceis de quantificar. Três anos depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), o impacto ambiental do desastre na bacia do Rio Doce ainda não é totalmente conhecido.

Poluição 

A vida aquática praticamente acaba quando atingida por rejeitos de barragens. Nos trechos mais afetados, o rio deixa de correr e a água é substituída pela lama, prejudicando a vida dos organismos que vivem ali. Os sedimentos da barragem da Vale em Brumadinho continuarão a se movimentar, seguindo o curso do Rio Paraopeba e, provavelmente, serão em sua maioria retidos na represa da UHE Retiro Baixo.

No entanto, sedimentos mais finos continuarão sendo carreados pelo rio e não é possível afirmar como e quando se dará a diluição desses sedimentos. Será um longo processo de mudança no ecossistema, que poderá afetar a vida aquática até mesmo no Rio São Francisco, porque a água se tornará mais turva sempre que chover forte na área onde a lama está acumulada.

Abastecimento  de  água  e  energia

O rompimento da barragem deixou integrantes de uma aldeia indígena com acesso a uma oferta limitada de água potável, informou a Fundação Nacional do Índio (Funai), que ressaltou ter enviado uma equipe para apoiar os indígenas.

Segundo a Funai, mais de 80 índios que vivem às margens do rio Paraopeba estão com “pequenas reservas de água” após o desastre na sexta-feira que poluiu o manancial.

A estatal Furnas, do grupo Eletrobras, está monitorando a chegada dos rejeitos da barragem de Brumadinho (MG) em sua hidrelétrica Retiro Baixo, que funciona no Rio Paraopeba, podendo comprometer as operações da usina. O Paraopeba é um afluente importante do Rio São Francisco, que alcança a região Nordeste. 

Segundo o relatório, se a mistura de rejeitos e água, resultante do rompimento da barragem, o reservatório da usina hidrelétrica de Três Marias, um dos maiores do sistema nacional de energia e de grande importância regional, pode afetar a geração de energia da usina e a operação de outras unidades instaladas ao longo do Rio São Francisco. Essa possibilidade porém foi  afastada em boletim do  Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Outro impacto do volume de rejeitos que chegar ao reservatório da usina é a diminuição da sua vida útil, que depende diretamente do volume de sedimentos. O rio naturalmente carrega sedimentos que tendem a se acumular no fundo dos reservatórios, porque neste ambiente a velocidade da água é muito baixa. Com o aumento da quantidade de sedimentos no fundo, a capacidade de acumular água e, portanto, gerar energia, é reduzida.

Foto: © Isac Nobrega
>Do MSN
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Terça, 29 de Janeiro de 2019 -16h38m)

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