Cláudio Amaro condenado a 27 anos de reclusão por homicídio qualificado; veja fotos

O ex-médico Cláudio Amaro, apontado como autor intelectual do assassinato do médico Artur Eugênio em maio de 2014, foi condenado a 27 anos de reclusão por homicídio qualificado consumado. A decisão foi divulgada pela juíza Inês Maria de Albuquerque Alves na madrugada desta quinta (13), após o terceiro dia de julgamento no Fórum de Jaboatão, iniciado na quarta (12) pela manhã. 

Já o comerciante Jailson Duarte César, suspeito de ter intermediado a contratação dos assassinos do médico Artur Eugênio, foi condenado a 24 anos por homicídio qualificado e dano qualificado, por causa da carbonização do carro do médico. O homicídio aconteceu em maio de 2014 na BR-101, em Jaboatão dos Guararapes, onde o corpo foi encontrado. Tanto Cláudio quanto Jailson ficarão em regime fechado.

A defesa de Cláudio Amaro, que ficou de cabeça baixa durante toda a leitura da sentença, disse que vai recorrer. “Nós já recorremos da sentença. Acreditamos que a decisão foi manifestamente contrária às provas dos autos e que o tribunal deverá anular o julgamento e ser submetido a novo júri”, disse Moacir Veloso, advogado de Cláudio. 

Alívio
A família da vítima e Carla Rameri, a viúva, ficaram aliviados com o resultado. Carla agradeceu e lembrou que hoje é o aniversário do filho da vítima. “Vou poder levar esse presente para ele”, disse Carla. “Do fundo do meu coração, quero agradecer, agradecer e agradecer. Hoje a gente pode virar uma página e recomeçar. Hoje posso dizer que recomeço a minha vida”, ressaltou. 

“O coração está saindo pela boca”, disse a mãe da vítima, Evani Pereira. “Estou emocionada. Depois de muita dor e muito sofrimento, isso não vai trazer nosso filho de volta, mas é uma sensação de alívio, que a justiça foi feita e agora podemos dizer que justiça e paz se abraçarão”, ressaltou. 

Pela manhã, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) falou por duas horas e meia contra os dois. Às 14h30, a defesa de Cláudio Amaro e Jailson César dividiu o tempo para argumentar em favor dos réus. Bruno Lacerda, advogado de Cláudio Amaro, desafiou a promotoria a mostrar provas contra o ex-médico. 

Alinhado com o discurso feito nessa terça (11) por Cláudio, apontou o filho dele, Cláudio Amaro Júnior, como uma pessoa desequilibrada. “Talvez ele tenha acreditado que, acabando com um desafeto do pai, ele agradasse mais. Até frente à amizade que dr. Cláudio tinha com o outro filho, Daniel”, afirmou. 

“Querer condenar por íntima convicção é um pouco demais, pretender condenar por convicção um caso permeado pela justiça. Ministério Público, reconheça. Estão querendo criar um motivo contra dr. Cláudio Amaro. Inveja? Um homem renomado, conhecido. Só tinha a vítima como concorrência? Em quê a morte de dr. Artur iria beneficiá-lo?”, questionou o advogado. 

A todo momento a sanidade do filho, que já foi condenado a 34 anos de prisão, foi comentada. “Ele é uma pessoa doente.” Por fim, Bruno Lacerda disse que o réu vai ser sepultado vivo caso seja condenado injustamente. “Já são quatro anos e meio preso. Ele está com a saúde debilitada.” 

A promotoria do MPPE teve duas horas para a réplica. Depois, foram mais duas horas para a tréplica da defesa. Foi reproduzida uma mídia de uma testemunha, Daniela Cristina da Silva, esposa de Lyferson Barbosa da Silva, condenado em setembro do ano passado por participar do crime. 

Entenda o caso 
O cirurgião Artur Eugênio foi sequestrado na porta de casa e assassinado com quatro tiros no dia 12 de maio de 2014. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR). Segundo a denúncia do MPPE, o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre o então médio Cláudio Amaro e a vítima.

O julgamento desta semana é o segundo do caso, no qual cinco pessoas foram acusadas pelo assassinato de Artur Eugênio, de 35 anos. Em setembro do ano passado, foram condenados o filho do médico Cláudio Amaro, Cláudio Amaro Jr., e Lyferson Barbosa da Silva. 

Cláudio Jr., então com 33 anos, foi condenado a 34 anos e quatro meses de reclusão, sendo 26 anos por homicídio qualificado, 6 anos por furto, 4 meses por comunicação falsa e 2 anos por dano material. Já Lyferson, que tinha 27 anos, foi condenado a 26 anos e quatro meses de reclusão, sendo 24 anos por homicídio qualificado e 2 anos e 4 meses por dano qualificado. Também foi acusado Flávio Braz, que morreu numa troca de tiros com policiais militares em 2015, pouco menos de um ano após o assassinato de Artur Eugênio.

Julgamento de Claudio Amaro

Julgamento de Claudio Amaro
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Família da vítima Artur Eugênio no julgamento de Claudio Amaro

Família da vítima Artur Eugênio no julgamento de Claudio Amaro
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Carla Rameri, viúva de Artur Eugênio

Carla Rameri, viúva de Artur Eugênio
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Família da vítima Artur Eugênio no julgamento de Claudio Amaro

Família da vítima Artur Eugênio no julgamento de Claudio Amaro
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Carla Rameri, viúva de Artur Eugênio

Carla Rameri, viúva de Artur Eugênio
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Família da vítima Artur Eugênio no julgamento de Claudio Amaro

Família da vítima Artur Eugênio no julgamento de Claudio Amaro
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Carla Rameri, viúva de Artur Eugênio, abraça o pai da vítima

Carla Rameri, viúva de Artur Eugênio, abraça o pai da vítima
Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Quinta, 13 de Dezembro de 2018 -07h39m)

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