Madonna completa 60 anos e mantém status de rainha do pop

Se a história da música é feita pelos próprios artistas, que através de canções e performances moldam a maneira como percebemos determinado período, então Madonna certamente ocupa um espaço especial na cultura pop. 

Não foram as letras, as harmonias ou os refrães que transformaram Madonna em um ícone, mas a combinação de tudo que envolve a cantora: seu carisma, seu comportamento, suas lutas. “De Madonna sempre se espera o choque e a contravenção, ainda que embalados numa embalagem de rápido consumo”, diz Schneider Carpeggiani, crítico cultural e editor do Suplemento Pernambuco. 

“A ideia que ficou de Madonna como artista é a de uma ‘traficante’ entre dois mundos: alguém que leva formas culturais menos conhecidas (o submundo dos clubes noturnos gay, por exemplo) para uma cultura de massa”, opina Schneider. 

“Os grandes momentos da carreira de Madonna aconteceram justamente quando ela veio com músicas ou visuais que estavam à margem do status quo da época ou mesmo se apropriando desse universo de forma irônica. Pense na coreografia vogue dancing de ‘Vogue’, que fez pessoas de reputações insuspeitas imitarem os trejeitos das boates gay de Nova York dos anos 1980, como bem retrata o atual seriado ‘Pose'”, destaca. 

Madonna 60

Madonna completa 60 anos na próxima quinta-feira (16). Para celebrar essa data, a editora Agir lançou recentemente o livro “Madonna 60”, escrito pela jornalista britânica Lucy O’Brien. A obra apresenta uma quantidade impressionante de detalhes, de sua infância ao sucesso mundial. 

O texto de O’Brien se destaca pela clareza e fluidez, combinando características geralmente atribuídas ao jornalismo, com entrevistas e informações de bastidores, e uma certa proposta de narrativa literária, com frases construídas com estilo e dramaticidade. 

Lucy prende a atenção do leitor com detalhes preciosos, como quando Madonna fala sobre a relação com a mãe, que morreu de câncer de mama. “Há uma lembrança que é frequentemente citada por Madonna: a mãe doente, tentando descansar um pouco no sofá, e a filha batendo em suas costas, na tentativa desesperada de conseguir alguma reação. A raiva passou quando Madonna viu que a mãe estava chorando”, escreve Lucy. 

“Eu me lembro de me sentir mais forte do que ela. Eu era tão pequena e, no entanto, ao abraçá-la e sentir seu corpo soluçando, tive a sensação de que ela é que era a criança”, revela Madonna, em entrevista. 

“Todo disco de Madonna conta a mesma história: a mulher que perdeu a mãe na infância e se sentiu traída pelo pai, que arrumou para os filhos uma madrasta; a garotinha perdida e fascinada com os símbolos de martírio e salvação do catolicismo; a rebelde que procura uma causa para se agarrar desesperadamente, ano após ano, amante após amante. Isso está escrito desde o álbum de estreia, ‘Madonna’ (1983), passando por ‘Like a prayer’ (1989) e ‘Erotica’ (1992), até o mais recente, ‘Rebel Heart’ (2015)”, explica Schneider. 

Cinema

A carreira de Madonna se expande também para o cinema, com sua imagem eternizada em celuloide interpretando Evita Perón, em “Evita” (1996), ou como diretora, no drama “W.E.: O romance do século” (2011). 

“Toda grande estrela nunca consegue fugir de si própria, vivem de reembrulhar suas imagens. Procuramos ver filmes com eles não pelo enredo, mas à caça de mais um vislumbre de suas imagens. Seus grandes momentos são sempre quando espelham a si próprios com mais nitidez. Madonna não fez Evita; Madonna interpretou ela própria como a mártir que se fez sozinha a despeito da rejeição de uma nação”, indica Schneider. 

Talvez sua imagem de cinema mais marcante seja no documentário “Na cama com Madonna” (1991). “No filme ela levou ao extremo aquilo que aprendeu com os seus clipes geniais dos anos 1980: se tem alguém olhando, o mais importante não é ser; é parecer. No documentário, Madonna é íntima porque é a Madonna que esperamos ver. Essa é a grande armadilha, a grande sacada de fingir intimidade”, diz Schneider. 

“‘Na cama com Madonna’ é um pouco a semente do nosso fascínio por performatizar a intimidade. Cada vez que buscamos recriar a tragédia em triunfo ou um defeito num sinal de apelo sexual numa rede social, estamos sendo um pouco Madonna. Em 2018, querendo ou não, somos todos um pouco a cama com Madonna”, sugere.
Como diretora, Madonna também esteve à frente também de “Sujos e sábios” (2018).

Foto: Divulgação
>Da Folha de PE e Fofocas da TV do Forrozão Sertanejo da Orobó FM
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Terça, 14 de Agosto de 2018 -20h36m)

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