Fome noturna: vício, síndrome ou doença?

Existe um hábito alimentar “inofensivo” para algumas pessoas que, na verdade, pode revelar um distúrbio clínico já diagnosticado em pelo menos 1,5% da população mundial. Tra­ta-se da Síndrome do Co­mer Noturno, descrita des­de a década de 1950 por diversos autores, e identificada no con­sultório do clínico geral.

Mas calma. Não é qualquer ata­que sorrateiro à geladeira en­tre os intervalos do sono que fará de você uma vítima des­se transtorno cada vez mais associado à vida moderna.

Ela é caracterizada por pessoas que frequentemente ingerem a maioria das calorias diárias no período da noite, se­ja pouco antes de deitar ou mesmo durante a madrugada, anulando boa parte da sua alimentação ao longo de um dia normal.

Segundo a nutricionista e coach Isis Graziela Rodrigues existe uma série de influências físicas e psicológicas atuando no indivíduo para que ele aja de maneira compulsiva. “A mudança do ciclo circadiano, ou relógio biológico, é um problema em que há alterações em neurotransmissores e hormônios importantes. Enquan­to isso, do ponto de vista psicológico, podemos identificar pensamentos, crenças e comportamentos que levam o indivíduo a esse comportamento”, diz ela, ao explicar que todas as pessoas têm os horários naturais para dormir e se alimentar no período de 24 horas.

Prazer

Ao preencher o estômago, a energia sai da cabeça para ficar a serviço da digestão e isso significa parar de pensar, sendo uma forma de anestesiar contra pensamentos “negativos”. O doce, por exemplo, entra no cardápio diário e noturno de quem procura mais prazer em sua vida.

O tratamento da SCN sugere, pelo menos, três intervenções básicas. “Na parte médica é necessária a regulação dos neurotransmissores (cortisol, serotonina, melatonina) para que o ciclo circadiano seja normalizado. Do pon­to de vista psicológico, pode ser feita uma terapia para que se identifique e trabalhe emoções, pensamentos e crenças correlacionados à sín­drome. Já nutricio­nalmente, será necessária uma ação para a mudança de hábitos alimentares, com distribuição adequada dos ma­cro e micronutrientes ao lon­go do dia, priorizando alimentos ricos em nutrientes específicos”, complementa a nutricionista.

A ajuda de familiares e amigos também é indispensável.

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>Da Folha de PE
>Via Dep. de Jorn. da Orobó FM, (Eraldo Albuquerque -Orobó; Sábado, 03 de Setembro de 2016 -11h24m)

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